Renda fixa americana pagando mais: é hora de trocar o Tesouro Direto pelos EUA?
Os rendimentos dos títulos de dívida do governo dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, atingiram patamares elevados recentemente, com os títulos de 10 anos próximos a 4,70% e os de 30 anos chegando a 5,2%, níveis não vistos desde 2007. Essa alta, embora tenha sofrido um
Os rendimentos dos títulos de dívida do governo dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, atingiram patamares elevados recentemente, com os títulos de 10 anos próximos a 4,70% e os de 30 anos chegando a 5,2%, níveis não vistos desde 2007. Essa alta, embora tenha sofrido um alívio posterior, diminuiu significativamente a diferença de remuneração em relação à renda fixa brasileira. Essa compressão do "spread" entre as taxas de juros dos dois países levanta a questão sobre a viabilidade de migrar investimentos do Tesouro Direto para os títulos americanos, um debate que especialistas indicam ir além da simples comparação de números.
O cenário atual para os títulos americanos surge em um contexto de deterioração fiscal contínua nos EUA, marcada por um recente rebaixamento de rating e uma dívida pública que já supera o Produto Interno Bruto anual. Diferentemente de crises brasileiras mais imediatas, a situação americana é descrita como uma degradação gradual, que está redesenhando o conceito de "ativo livre de risco" para a próxima década. Enquanto isso, o Brasil enfrenta um risco mais agudo e reativo, com a possibilidade de uma perda abrupta de confiança, o que eleva o custo de rolagem da dívida nacional e torna o cenário brasileiro mais volátil e imprevisível em comparação.
Para o empreendedor brasileiro, a atratividade dos Treasuries pode se traduzir em uma alternativa de diversificação, especialmente para quem busca proteger seu patrimônio contra a desvalorização cambial crônica do real. Embora as taxas nominais brasileiras possam parecer altas, a inflação estrutural e a volatilidade do câmbio podem corroer o ganho real. Investir em dólar, mesmo com rendimentos menores em termos absolutos, pode oferecer uma proteção mais robusta em cenários de crise severa, onde o dólar tende a se valorizar significativamente, salvaguardando o poder de compra do capital investido.
Negócios que operam com margens apertadas e dependem de previsibilidade de custos, como pequenos comércios de varejo com horários estendidos ou restaurantes que funcionam em fins de semana e feriados, podem sentir mais diretamente os efeitos de uma instabilidade econômica ou cambial. A imprevisibilidade em custos de insumos importados ou a dificuldade em repassar aumentos de preços para o consumidor final, em um cenário de desvalorização da moeda local, podem comprometer a saúde financeira dessas empresas. A busca por ativos mais estáveis, como os Treasuries, pode ser uma estratégia para mitigar esses riscos.
Já microempreendedores individuais (MEIs) e freelancers que atuam predominantemente no mercado digital, prestando serviços para clientes nacionais ou internacionais sem necessidade de estoque físico ou operações sujeitas a flutuações cambiais diretas, são menos afetados por essas oscilações. Empresas com modelos de negócio resilientes, que oferecem serviços essenciais ou que já possuem uma estrutura de custos e receitas bem protegida contra a volatilidade cambial, também se encontram em uma posição mais segura, com menor necessidade de buscar refúgio em ativos internacionais.
Nos próximos dias e semanas, acompanhar a divulgação de novos dados econômicos nos Estados Unidos, que podem influenciar as decisões do Federal Reserve sobre as taxas de juros. Declarações de membros do Fed e a evolução da inflação americana serão sinais importantes. No Brasil, a atenção deve se voltar para as discussões fiscais e para a política monetária do Banco Central. Caso o cenário de juros elevados nos EUA se consolide e a percepção de risco fiscal brasileiro aumente, empreendedores com capital disponível podem considerar a diversificação para Treasuries, utilizando ETFs como um caminho prático e acessível para acessar esses títulos.
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