Economia

Como a Coreia do Norte usou repressão ao k-pop e guerra da Ucrânia para se fortalecer

O líder norte-coreano Kim Jong-un, após um pedido de desculpas público em 2020 em meio a dificuldades econômicas e sanitárias, demonstrou uma notável ascensão em sua posição de poder. Ele fechou rigorosamente as fronteiras do país durante a pandemia, reprimindo o comércio e o con

16 de Junho de 2026, 05:00 · Redação InfoMoney · 3 min de leitura

O líder norte-coreano Kim Jong-un, após um pedido de desculpas público em 2020 em meio a dificuldades econômicas e sanitárias, demonstrou uma notável ascensão em sua posição de poder. Ele fechou rigorosamente as fronteiras do país durante a pandemia, reprimindo o comércio e o contrabando, o que forçou uma maior autossuficiência interna. Paralelamente, intensificou a repressão a mercados informais e à disseminação de entretenimento estrangeiro, fortalecendo o controle do regime sobre a economia e a ideologia. Essa estratégia, combinada com o avanço de seu programa nuclear e a exploração de oportunidades geopolíticas, como o apoio à Rússia na guerra da Ucrânia, consolidou sua imagem como um líder poderoso e com maior projeção internacional.

Este momento de fortalecimento de Kim Jong-un surge em um contexto global de instabilidade e realinhamentos políticos. A pandemia de COVID-19, que inicialmente expôs as fragilidades da Coreia do Norte, acabou por servir como catalisador para medidas de controle interno mais severas. A guerra na Ucrânia, por sua vez, criou um cenário onde a Rússia buscou aliados e recursos, abrindo uma janela de oportunidade para a Coreia do Norte, que pôde oferecer armamentos em troca de tecnologia e apoio. Essa aproximação com a Rússia, e subsequentemente com a China, que reaqueceu suas relações com Pyongyang, demonstra um movimento de blocos e uma busca por maior autonomia frente às sanções internacionais.

Para o empreendedor brasileiro, o cenário descrito, embora distante geograficamente, pode trazer reflexos indiretos. A instabilidade global e o fortalecimento de regimes que desafiam a ordem internacional podem impactar cadeias de suprimentos e o custo de matérias-primas, especialmente aquelas ligadas a setores de defesa ou que dependem de rotas comerciais alteradas. Se a Coreia do Norte, por exemplo, se tornar um fornecedor mais ativo de certos componentes ou produtos, isso pode influenciar a disponibilidade e o preço no mercado internacional. Para quem trabalha com importação ou exportação, a volatilidade geopolítica é um fator de risco que exige monitoramento constante e flexibilidade nas estratégias.

Negócios que dependem fortemente de importação de insumos ou de mercados internacionais mais abertos são mais afetados por tensões geopolíticas e sanções. Pequenos e médios empreendedores que importam produtos eletrônicos, peças para máquinas, ou mesmo matérias-primas de países envolvidos em conflitos ou sob sanções, podem enfrentar aumentos de custo, atrasos na entrega ou até mesmo a indisponibilidade de certos itens. Por exemplo, um pequeno fabricante de móveis que importa madeira de uma região afetada por instabilidade ou um comércio de eletrônicos que depende de componentes produzidos em países com relações diplomáticas tensas podem sentir o impacto mais diretamente.

Já negócios com forte atuação no mercado interno e que oferecem produtos ou serviços essenciais ou de nicho com pouca dependência de importação podem ser menos impactados. Microempreendedores individuais (MEIs) que atuam em serviços locais, como um encanador, um eletricista, um cuidador de idosos, ou um profissional autônomo que oferece consultoria online para empresas brasileiras, tendem a ter sua operação mais protegida. Da mesma forma, pequenos produtores rurais que vendem diretamente para o consumidor local ou restaurantes que utilizam ingredientes predominantemente nacionais podem sofrer menos com as flutuações do mercado global.

O que acompanhar de perto nos próximos dias e semanas são os desdobramentos das relações entre Coreia do Norte, Rússia e China, especialmente no que tange a acordos comerciais e de defesa. Fique atento a notícias sobre a implementação de novas sanções internacionais ou a flexibilização das existentes, bem como a declarações oficiais dos governos envolvidos. Para o empreendedor, o movimento de preços de commodities e a estabilidade das rotas logísticas globais serão indicadores importantes. Caso o cenário de maior isolamento e tensão se confirme, o ideal é reforçar o planejamento financeiro, diversificar fornecedores sempre que possível e buscar fortalecer a base de clientes local.

Leia o artigo completo em Redação InfoMoney.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/business/global/coreia-do-norte-repressao-k-pop-doramas-guerra-ucrania-aumento-poder/

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