Economia

Choque de oferta dita o ritmo do IPCA de abril e põe em dúvida novos cortes da Selic

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril deve registrar uma alta entre 0,54% e 0,73%, segundo projeções de economistas. Este percentual representa uma desaceleração em relação a março, mas ainda reflete pressões significativas sobre os custos de vida. Os pr

11 de Maio de 2026, 05:00 · Redação InfoMoney · 3 min de leitura

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril deve registrar uma alta entre 0,54% e 0,73%, segundo projeções de economistas. Este percentual representa uma desaceleração em relação a março, mas ainda reflete pressões significativas sobre os custos de vida. Os principais fatores por trás dessa elevação são o aumento nos preços de energia, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, e a escalada nos custos de alimentos. Esses choques de oferta globais estão impactando a economia brasileira, desafiando a expectativa de continuidade na queda da taxa básica de juros, a Selic.

O cenário atual é marcado por eventos internacionais que ditam o ritmo da inflação interna, uma inversão em relação a períodos onde o consumo era o principal motor de alta de preços. A guerra no Oriente Médio, por exemplo, afeta diretamente o custo do petróleo, insumo essencial para combustíveis e diversos produtos industriais. Essa pressão de oferta, que corresponde a cerca de 60% da variação acumulada do IPCA no primeiro trimestre, gera um efeito cascata em toda a cadeia produtiva, desde os custos de transporte até a produção de bens e serviços, tornando a gestão de custos para empreendedores um desafio constante.

Para o empreendedor brasileiro, essa dinâmica de inflação puxada pela oferta significa um aumento direto nos custos operacionais. O preço da gasolina e do diesel, essenciais para o transporte de mercadorias e para prestadores de serviço que se deslocam, tende a subir. Além disso, insumos industriais e agrícolas, como os derivados de petróleo e produtos agropecuários afetados por questões climáticas e ciclos de produção, também encarecem. Essa elevação nos custos de matéria-prima e logística pode forçar o repasse para o consumidor final, impactando a competitividade e a margem de lucro dos negócios, especialmente aqueles com cadeias de suprimentos mais longas ou dependentes de importação.

Negócios que operam com margens apertadas ou que dependem de horários de pico e alta demanda são particularmente vulneráveis. Restaurantes que funcionam em fins de semana e feriados, por exemplo, sentem o impacto do aumento do custo de alimentos e energia, além de possíveis reajustes nos salários para atrair e reter mão de obra em um cenário de inflação. Lojas físicas com horários estendidos também enfrentam custos maiores de eletricidade e segurança. Setores que utilizam transporte intensivamente, como entregas e logística, sofrem diretamente com a alta dos combustíveis, o que pode se traduzir em preços mais elevados para os clientes e menor volume de vendas.

Já empreendedores que atuam no ambiente digital e com serviços menos dependentes de insumos físicos diretos são menos afetados. Microempreendedores Individuais (MEIs) que oferecem consultoria online, freelancers que trabalham remotamente com desenvolvimento de software ou design gráfico, e empresas de serviços digitais com baixo custo de infraestrutura física podem observar um impacto menor. A valorização do real frente ao dólar, embora limitada, também ajuda a amortecer parte dos custos de importação de tecnologia e insumos para esses setores, permitindo uma maior estabilidade em suas operações.

Pra monitorar: de perto incluem a divulgação oficial do IPCA de abril e as reações do Banco Central. A persistência de uma inflação acima do esperado, especialmente com a desancoragem das expectativas de longo prazo, pode levar a uma pausa ou até mesmo a uma reversão no ciclo de cortes da Selic. Fique atento a declarações de membros do Comitê de Política Monetária (Copom) e a novas projeções do Boletim Focus. Caso a taxa de juros se mantenha elevada por mais tempo, empreendedores devem focar em otimizar custos, renegociar contratos com fornecedores e buscar eficiência operacional para manter a saúde financeira de seus negócios.

Leia o artigo completo em Redação InfoMoney.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/economia/ipca-abril-projecoes-inflacao-petroleo-selic/

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